Postado por Anderson de Souza Silva | 0 comentários

Exposição e lançamento do Ragu Cordel


Personagens com feições deformadas habitam um mundo imperfeito, onde tudo parece estar prestes a derreter, nas pinturas de Christiano Mascaro. Apesar de toda essa angústia existencial, que por vezes parece se aproximar da feiúra, os quadros do artista são regidos por uma harmonia que os torna belos.

Não se trata de mera releitura do expressionismo de O Grito (1893), de Munch. A obra de Mascaro situa-se no mundo contemporâneo e recebe influência da cultura pop (sua formação vem do design gráfico e da ilustração editorial), das histórias em quadrinhos, do cinema fantástico e do rock psicodélico. As imagens são, na verdade, atemporais, suspensas no universo, situadas em um planeta que se assemelha com a Terra, mas sem claras referências geográficas ou culturais.

Os seres também têm algo de alienígena. Possuem semelhanças claras com os homens, mas são mais enrugados, desproporcionais. “Não pinto isso conscientemente, mas realmente não acho o ser humano uma boa pessoa”, confessa o artista, demonstrando certo ceticismo diante dos comportamentos sociais.

Formada por pinturas feitas com tinta acrílica sobre madeira (“estudando várias técnicas, a madeira foi a que eu achei mais interessante por aguentar as pancadas”), esta segunda exposição de quadros de Mascaro será inaugurada hoje, n’A Casa do Cachorro Preto, em Olinda. A primeira reuniu aquarelas no Centro Cultural Correios.

Antes, suas criações eram vistas em revistas e jornais, em forma de quadrinhos, ilustrações e cartuns. O passado gráfico se mantém presente, principalmente no caráter levemente narrativo das obras, como se nelas houvesse um antes e um depois. E a volumetria dos desenhos, que sempre lembraram esculturas, permanece. “É meu momento unplugged, sem a imposição das urgências”, percebe.

O mergulho de Mascaro no novo ambiente também foi estimulado por um contexto internacional de quebra de fronteiras entre as artes em geral. Há toda uma nova cena de ilustradores que descobrem novas formas de se expressar e que buscam processos artesanais adormecidos após um momentâneo entusiasmo pela computação gráfica. (Júlio Cavani)




fonte: http://www.pernambuco.com...

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